O que move o mercado de ações
As ações não se movem no vácuo. Juros, inflação, emprego e crescimento econômico formam o pano de fundo de todo gráfico que você olha. Você não precisa ser economista, mas deve saber quais números importam e como o mercado costuma reagir a eles.
Os quatro grandes: juros, inflação, emprego e crescimento
Quase toda notícia que move o mercado cabe em quatro grupos. O primeiro e mais poderoso são os juros, definidos pelo banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve (o Fed). Juros mais baixos barateiam o crédito e fazem os lucros futuros das empresas valerem mais hoje, o que tende a ajudar as ações, principalmente as de crescimento acelerado. Juros mais altos fazem o contrário.
Os outros três grupos importam principalmente pelo que significam para os juros. Inflação alta pode obrigar o Fed a manter os juros altos. Um mercado de trabalho muito forte pode alimentar a inflação. Crescimento fraco pode trazer cortes de juros, mas também lucros menores.
- Inflação: o CPI (índice de preços ao consumidor) e o PCE (despesas de consumo pessoal, o indicador preferido do Fed).
- Emprego: o relatório mensal de emprego (payroll e taxa de desemprego) e os pedidos semanais de seguro-desemprego.
- Crescimento: o PIB (a produção total da economia) e as pesquisas ISM de indústria e serviços.
- Consumo: as vendas no varejo, que mostram quanto os consumidores estão comprando.
Por que notícia boa pode ser ruim
Iniciantes costumam ficar confusos quando um relatório de emprego forte derruba as ações. O motivo é o Fed. Se a economia parece aquecida demais, os traders esperam juros altos por mais tempo, e isso pesa sobre os preços. Da mesma forma, um dado fraco pode impulsionar as ações se aumentar as chances de um corte de juros.
Isso muda com o tempo. Quando os investidores temem uma recessão, notícia ruim é simplesmente ruim, e notícia boa é bem-vinda. O mesmo número pode significar coisas diferentes em anos diferentes, então não decore uma regra como "emprego forte = ações em alta".
As expectativas importam mais que o número
Antes de cada divulgação, economistas publicam uma previsão, muitas vezes chamada de consenso. Os preços já refletem essa previsão. O que move o mercado é a surpresa: o quanto o número real fica longe do esperado e o que isso muda nas perspectivas para os juros.
É por isso que um número que parece ruim pode gerar um rali. Se a inflação veio em 3,2% quando os traders temiam 3,5%, o mercado pode comemorar um número que ainda é alto demais.
Observe a reação, não a previsão
Você não consegue operar a previsão de forma confiável, e nem precisa. O método popularizado por William O'Neil lê o próprio mercado. Depois de uma divulgação importante, faça perguntas simples: os índices fecharam em alta ou em queda? Com mais ou menos volume que no dia anterior? As ações líderes mantiveram os ganhos?
Um mercado que ignora notícias ruins está mostrando força. Um mercado que cai com notícias boas está mostrando fraqueza. O comportamento dos índices, medido pelos dias de distribuição e pela direção do mercado, é o juiz final. Os dados macro explicam o movimento; preço e volume o confirmam.
Erros comuns
- Tentar prever os dados econômicos e apostar alto antes da divulgação.
- Supor que um dado forte é necessariamente bom para as ações sem pensar nos juros.
- Ignorar o calendário e ser surpreendido por um grande gap (salto de preço) no dia do CPI ou do Fed.
- Deixar as manchetes pesarem mais do que o que os índices e suas ações estão realmente fazendo.
Pontos-chave
- Os juros são a principal força macro por trás dos preços; inflação, emprego e crescimento importam principalmente pelo efeito nos juros.
- O mercado reage a surpresas em relação ao esperado, não ao número em si.
- Julgue a notícia pela reação do mercado em preço e volume, não pela sua própria previsão.
Confira o que você aprendeu
Acerte pelo menos 2 de 3 para concluir a lição.
1. Por que um relatório de emprego muito forte pode derrubar as ações?
Inflação, emprego e crescimento importam principalmente pelo efeito sobre os juros. Se a economia parece aquecida demais, juros altos por mais tempo pesam sobre as ações.
2. Os traders temiam uma inflação de 3,5%. Ela sai em 3,2%, ainda acima da meta, e as ações sobem. Por quê?
Os preços já refletem a previsão. Um dado melhor do que o temido pode fazer as ações subirem, mesmo que ainda esteja alto demais.
3. Depois de um dado econômico importante, qual é a melhor forma de avaliar o efeito dele?
Os dados macro explicam o movimento; preço e volume confirmam. Um mercado que ignora notícias ruins está mostrando força.
Abrir o calendário macro → Experimente no Ticker&Tape